O Ser é
Só o Ser é sem mais.
Quando tenta dizer mais
o humano tropeça na própria linguagem.
Tropecemos então…
O Ser é um deus esticado até ao infinito
por um humano com sede
que o vislumbra no plural dos plurais
O Ser é um deus distorcido e alinhado na mesma superfície.
O Ser é a casa aberta de todos os Deuses
criados e por criar
Pelo Ser o humano esbarra com o infinito
com os limites e a condição.
O Ser é a porta aberta de tudo… e de nada.
Pelo Ser chegamos a Deus. E pulamos entre Deuses.
Deuses que assistem ao silêncio da humanidade
Deuses que assistem ao vazio de si
e levam consigo tudo o que ainda não há.
Deuses que arrastam consigo todo o pensamento
como se de uma poeira universal se tratasse.
No Ser está tudo o que está,
dentro e fora de Deus
No Ser está a totalidade,
dentro e fora do Humano
Antes e depois do tempo e,
cujo espaço, o humano – feliz e infeliz –
consegue, por vezes, perspectivar.
Perante o Ser,
o humano cria e destrói deuses com a mesma facilidade.
Ser
Infinita condição de possibilidade
de todas as possibilidades, possíveis e impossíveis,
que une numa só linha,
abstracta e real
a vertigem do vazio com
a urgência atroz do infinito.
Neste espaço intermédio nascem os entes
suas queridas crias.
Para ele apontam dizendo quase nada…
espelhando quase tudo…
—
Ivo Aguiar
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Sobre o Autor
Ivo Aguiar
Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.