onde coloco o meu infinito?

Poema, vasta melodia entrópica
de um sentido antecipado

em ti a cronologia infantil
é apenas vertigem não explicável
aos vencedores da falsidade

Tragédia infinita dos humanos

onde coloco o meu infinito?
na liberdade de outro humano finito
ou na infinita liberdade que atravessa
a pele da criação poética?

sento-me na mesa e observo
está lá tudo, a mesa, a cadeira,
a folha, a caneta…
e no entanto, nada está
o vazio atravessa-me
falta ver o tempo a cruzar o espaço
e traduzir a imagem numa linguagem,
carruagem de signos maiores
e sentidos extintos pelos
nihilismos ultrapassados por
frames mais vazios que o maior
dos abismos

quando a tradução criadora vence a imagem
eu venço a noite do pensamento
e sinto que jamais conseguirei vencer de novo!

 


Ivo Aguiar

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Sobre o Autor

Ivo Aguiar

Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.

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