Escrevo para preencher
o infinito do vazio
entre a linguagem e a realidade
Sei que escrevo e prossigo…
continuo num voo solitário
Penso que é para sempre
O infinito alarma a consciência
da finitude:
– volta! não é para sempre!
O voo terminará.
O vazio existencial sobreviverá
com a força do infinito, para sempre
O vazio não é sentimental…
O vazio é existencial.
Nada restará depois de tudo
nem mesmo a escrita.
Que pelo menos
a nossa mancha sentimental
perdure,
Sempre,
através do Amor
Já não em nós,
mas em todos os que
cá deixamos amados.
© imagem: pormenor escultura Didier Fiúza Faustino, Lisboa 2022
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Ivo Aguiar
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Sobre o Autor
Ivo Aguiar
Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.