Feminismo ou Estalinismo de Saias?

Annie Le Brun, considerada por muitos como a última surrealista, foi, na realidade, uma das primeiras. Entre diversos e tímidos ensaios e tardavam a ser publicados na década de 70, destaca-se Lâchez Tout onde a autora arrasa os aspectos mais retrógrados e castradores do feminismo de então, a que ela chamou um “estalinismo de saias”.

De Annie Le Brun só podemos esperar uma refinada e avançada análise do real contra as correntes populistas da moda de então e onde se incluíam, já, algumas tendências consumistas e neoliberais a quem se vergava, desde então, parte da indústria cultural, nomeadamente no pantanoso terreno da arte injustamente apelidada de “contemporânea”. Inspirada em Breton, Pauvert e Debord, consagrou uma crítica intemporal à mercantilização da arte e da literatura, em particular. Em 2018, em Ce qui n’a pas de prix, denuncia o corruptível estado da criação artística pela estetização do valor do dinheiro e consequente redução do carácter disruptível e transformador imagético que a arte deve assegurar. Contra a ofensiva do capital fixou um dos arautos mais vertiginosos de sempre: “a desflorestação da imaginação é tão perigosa como a do Amazonas”.

Foi através do Surrealismo que Brun descobriu algumas variáveis metafísicas de aproximação à realidade: provavelmente apenas pelo improvável se pode alcançar o domínio do Ser. A permanência ontológica advém mais do Acidental do que do Causal Racional.

Annie Le Brun nasceu em Rennes, viveu em paris e faleceu em 29 de julho de 2024, com 82 anos, na Croácia.

 

[texto publicado sem qualquer revisão ortográfica e ignorando todas as tentativas de desacordo ortográfico]

 


Ivo Aguiar

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Sobre o Autor

Ivo Aguiar

Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.

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