Na antecâmara de deus!
O medo só existe se o conservarmos.
«O medo quer que eu tenha medo»
Objectivar o medo é reconhecer que ele só existe se nós o possuirmos.
Ter medo é diferente de respeitar o medo de ter medo.
Respeitar o medo é assumir a condição da fragilidade humana.
Respeitar o medo é saber viver a baloiçar entre dois lados:
Ser ou não ser
Estar entre a espada afiada de uma fobia que nos deseja
e o conforto de uma parede que nos ampara.
Exorcizar o medo é reconhecer o sublime do desconhecido
aquilo que nos excede e nos ultrapassada desmedidamente.
É ficar à porta,
É espreitar por entre as frinchas, mas ter a humildade suficiente para nunca entrar.
Entrar na sala do medo é ser possuído em absoluto pelo inexistente
O inexistente que nos suga na totalidade do ser.
A liberdade é um exercício de correção com o respeito pelo desconhecido;
É saber estar com o medo
É saber viver com a condição instintiva de existir
É saber conviver com fragilidade de um medo que nos chama
É conseguir dizer não às respostas dos limites da razão
É dizer que não às visões xamanísticas e omniscientes que o negam,
É concordar com a não certeza.
É saber dar beleza à dúvida.
É caminhar de mãos dadas com o ele, mas nunca assumir uma relação de facto.
É dar-lhe razão, aqui e ali, mas nunca concordando com ele em absoluto.
É saber mantê-lo no seu lugar.
É saber estar no seu próprio lugar.
O medo é capaz de encher uma sala, uma casa, um território, como substância química invisível, como o oxigénio nos permite respirar, o medo pode fazer-nos respirar, mas não de uma forma salutar.
Não ter medo é não ter futuro;
ter medo é ter futuro castrado pelas possibilidades possíveis.
Não ter medo é não ver futuro;
ter medo é ver a possibilidade futura alienada por si e em si.
—
Ivo Aguiar
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Sobre o Autor
Ivo Aguiar
Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.