O Tempo e o Espaço são um produto de um conceito infinito.
Tempo e Espaço, no humano, serão sempre infinitos.
Não é possível pensar no Tempo e no Espaço num universo finito. Se o fizermos deixamos de pensar o Tempo e o Espaço para os reduzirmos a um determinado segmento, um ponto de A a B ou um espaço de tempo, um determinado tempo no espaço.
O Tempo e o Espaço são, pois, duas categorias transcendentais inerentes ao humano suficientemente fortes para o seu pensamento.
O infinito pode ser aplicado ao Tempo e ao Espaço.
Da mesma forma que o humano pode intuir o infinito para lá de si, também o pode negar, ou, por outras palavras, pensar o seu contrário: o Nada.
O «nada» é uma categoria inerente à condição humana que pode espelhar uma tentativa de negação do próprio sistema categorial. O «nada» é um sistema potente de negação do infinito, ou simplesmente a ausência de alguma coisa (alguma coisa = contrário “tudo”/infinito)? Só o humano consegue intuir o nada. O “nada”, como anulação suprema da intuição do infinito, mas ao mesmo tempo elemento estrutural para a solidificação dialéctica dos 2 conceitos.
O ser humano é um elo de ligação cósmico entre o nada e o infinito.

Da mesma forma que o infinito pode remeter o universo categorial do humano para a totalidade da existência, sendo que TUDO e o Infinito no universo convergem numa só realidade… também o nada transporta consigo o peso ontológico de algo a que podemos chamar de Vazio.

O Tempo e o Espaço são categorias que vagueiam no humano através de dois corredores fundamentais: o Nada e o Infinito. 2 conceitos que, se pudéssemos, nem os escrevíamos tal é o seu peso categoria na ordem taxinómica do real.
O ser humano como poeira – ponto cosmicamente (ir)relevante – sintonizada entre o nada e o infinito: realidades que lhe escapam na totalidade mas que, em certa medida, lhe permitem descodificar a radiografia desta sintonização.
Através do Nada e do Infinito o ser humano encontra em si mesmo uma forma de pensar para lá de si, uma tentativa de pensamento para lá do humano, uma espécie de escapatória ontológica que o torna não humano, ou seja, para além do humano.
Na convergência destes dois corredores do pensamento humano encontramos 2 elementos fundamentais para a compreensão da estrutura cognitiva do Ser Humano: o Silêncio e a Solidão.
O Silêncio e a Solidão podem ser vistos como forma de superação dialéctica, no humano, entre o Infinito e o Nada.

O silêncio e a Solidão como elementos essenciais para a CRIAÇÃO Humana.
CRIAÇÃO –> do Nada à Totalidade
A Criação e a Liberdade: A liberdade é um corte umbilical com a finitude. Na liberdade exercemos o direito da criação infinita e assim, como Seres Humanos, disrompemos com uma das condições que definem e categorizam o Ser Humano, a sua finitude.
O silêncio é a aplicação do Nada “fora do eu”, num tempo e num espaço definidos.
A consciência do silêncio no humano é uma fonte da superação do infinito
Com o silêncio o ser humano conecta-se ao Nada (no homem) e ao Infinito (fora de si)
A solidão é a aplicação do Nada “dentro do eu”, num tempo e num espaço definidos.
A consciência da solidão no humano é uma fonte da superação do infinito
Com a solidão o ser humano conecta-se ao Nada (ausência de si) e ao Infinito (subjetividade infinita para lá de si)
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Ivo Aguiar
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Sobre o Autor
Ivo Aguiar
Leitor omnívoro. Escritor independente. Filosofia, Poesia e Arte em Geral.